Apresentação

A proposta de realização da 1ª CONFERÊNCIA GRAMSCI, MARX E MARXISMO (1ª CGRAM) nasce a partir da dinâmica do Grupo de Estudos, Pesquisa e Debates em Serviço Social e Movimento Social – GSERMS. Criado em 1998, junto ao Departamento de Serviço Social – DESES da Universidade Federal do Maranhão, foi concebido e se consolidou como um grupo de orientação teórico-histórica marxista, sustentado em Marx, com ênfase no pensamento de Gramsci. É orientado pelas seguintes linhas de pesquisa: Fundamentos teóricos e históricos-metodológicos do Serviço Social e do Movimento Social; Função histórica do Serviço Social; Tendências atuais e perspectivas do Serviço Social no âmbito do movimento social na luta de enfrentamento da questão social; Lutas sociais no Maranhão - Campo/Cidade; Relação Estado/Sociedade Civil; Trabalho e sindicalismo; Partido político; Pensamento de Antônio Gramsci, mediante a verticalização dos estudos de suas obras, referenciados em Marx e em interlocução com o marxismo.

A dinâmica do grupo foi ampliada com a criação do Núcleo de Estudos, Pesquisa e Debates: Gramsci, Marx e Marxismo – NEGRAM, no âmbito do GSERMS, cujo funcionamento foi iniciado em 2016 com o Ciclo de Estudos do pensamento de Gramsci, aberto a outros interessados para além do grupo. Com sessão mensal, o ciclo foi iniciado com leitura, fichamento e resenhas temáticas dos seis volumes dos Cadernos do Cárcere, traduzidos por Carlos Nelson Coutinho, Luiz Sérgio Henriques e Marco Aurélio Nogueira e publicado pela Civilização Brasileira, 1999, 2000, 2001, 2002.

A criação do NÚCLEO DE ESTUDOS, PESQUISA E DEBATES: GRAMSCI, MARX E MARXISMO - NEGRAM parte de um lastro histórico das pesquisadoras do GSERMS e de uma demanda colocada pelas transformações das relações de produção e de trabalho, com avanço da ideologia conservadora reacionária, em movimento contra revolucionário, em todo mundo e, especificamente na América Latina, com destaque para o Brasil[1]. E, ainda que nesse contexto o pensamento marxista, a partir de Marx, tenha sofrido significativo revés com a debandada de intelectuais para as teorias pós-modernas, a teoria crítica de Marx e marxista continua atual para a explicação da sociedade capitalista fundada nas relações de exploração, dominação e humilhação do capital sobre o trabalho, dos movimentos revolucionários e os contra revolucionários. Nesse sentido o pensamento de Gramsci se reafirma, no âmbito da atualidade do pensamento do fundador da “filosofia da práxis”[2], como o filósofo italiano se refere a Marx nos Cadernos do Cárcere; sempre exigindo aprofundamento no conhecimento e análise crítica de seu pensamento, com a verticalização do estudo de suas obras, tendo Marx como referência e fazendo a interlocução com o marxismo. E a denominação de “NÚCLEO DE ESTUDOS, PESQUISA E DEBATES: Gramsci, Marx e Marxismo - NEGRAM” decorre, exatamente, dessa concepção, expressando uma estratégia do GSERMS que demarca e procurará garantir que os estudos, pesquisas e debates sobre Gramsci assegurem a referência em Marx na interlocução com o marxismo, destacando-se nesse aspecto, György Lukács e Henry Lefebvre pela influência no Serviço Social brasileiro e no GSERMS.

É essa referência que anima o GSERMS, através do NEGRAM, a instituir em seu âmbito e na UFMA, a CONFERÊNCIA GRAMSCI, MARX E O MARXISMO e, com a realização da 1ª CGRAM, participar das comemorações, no Brasil e no mundo, do bicentenário de nascimento de Marx. Nascido em Tréveris, Alemanha, em 5 de maio de 1818, e morto, com 65 anos, no dia 14 de março de 1883, em Londres, Inglaterra, Marx deixou um valioso legado para a humanidade, expresso no conjunto de sua obra, reconhecido em todo o mundo, em sua importância e atualidade nos dias de hoje; e no qual se destaca O Capital: Critica da Economia Política, “originalmente publicado na Alemanha em 1867 e é considerado a mais profunda investigação crítica do modo de produção capitalista” (BOLETIM BOITEMPO, 2011), apesar da importância particular de todas as obras.

Com o tema GRAMSCI, MARX E O MARXISMO HOJE, a 1ª CONFERÊNCIA GRAMSCI, MARX E MARXISMO pretende ser um espaço de debate em torno da atualidade de Gramsci, de Marx e do marxismo nos dias de hoje; de articulação de estudiosos  pesquisadores da temática e militantes das lutas populares; e de sustentação permanente do pensamento crítico fundado na concepção histórica do mundo e do “dever ser”, conforme a orientação teórico-crítica desse campo de pensamento e prática. É um grande desafio, em um tempo de avanço do conservadorismo reacionário, em movimento contra revolucionário em todo mundo e, especificamente na América Latina, com destaque para o Brasil, onde um pacto do Judiciário e do Parlamento com a burguesia atrasada, mediado pelo monopólio midiático, desferiu o golpe de Estado de 2016; e este segue em curso, avançando na destruição dos fundamentos, ainda que burgueses, da chamada Constituição Cidadã, aprovada em Assembleia Constituinte de 1988, da Democracia, do Estado Democrático e de direitos básicos conquistados pela classe trabalhadora em sua luta histórica por direitos e emancipação.

 

[1]O país está, desde 2016, sob a vigência de um golpe parlamentar-jurídico-midiático que destituiu, através de impeachment, a presidente Dilma Vana Rousseff, eleita em 2014. Com o desfecho e a consolidação do golpe já está claramente demonstrado e comprovado que a justificativa para o impedimento foi forjada, mediante corrupção do parlamento, a sustentação do judiciário e a mediação da mídia tradicional. É uma expressão do fim do ciclo das lutas emancipatórias, iniciado na América Latina com a vitória da Revolução Cubana.

[2] “Uma filosofia da práxis só pode apresentar-se, inicialmente, em uma atitude polêmica e crítica, como superação da maneira de pensar precedente e do pensamento concreto existente (ou mundo cultural existente).” (GRAMSCI, 1999, p. 101).